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Pingos de Chuva

Depois da chuva passar, haverá sempre um arco-iris no céu

Pingos de Chuva

Depois da chuva passar, haverá sempre um arco-iris no céu

Quando...

...no meio do teu feed do Facebook aparece alguém de quem não sabias nada há muito mas que sabes, de certeza, poderia ter mudado a tua vida. Hoje foi o dia. E de repente, memórias do que ficou lá atrás. Arrependo-me de muita coisa que fiz mas, neste caso, arrependo-me do que não fiz...

Memórias

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Memórias. De jogar ao mata lá ao fundo, á direita. De saltar a macaca onde hoje está uma rampa de acesso ao lado das escadas. De jogar ao berlinde do outro lado deste muro. De jogarmos á pedra na escadaria (até aparecer alguém a ralhar porque não podíamos estar todos ali a ocupar as escadas de uma ponta á outra). Do 'verdade ou consequência' no recanto do jardim que havia em frente ás escadas. De jogar á apanhada pelo meio dos arbustos e árvores. Da biblioteca no 2° andar (as janelas da direita, no 1° andar era a sala dos professores). O ginásio do lado oposto e o refeitório no andar de baixo. As aulas de ginástica no recreio lá atrás. Os campeonatos de futebol entre turmas onde só os rapazes jogavam e as raparigas ficavam de fora o torcer pelos 'nossos'. As aulas de música na cave e as de francês na sala envidraçada de onde se via a Praça de Espanha. As aulas de ciências do 1° ano onde fazíamos gato sapato da professora e cantavamos em alto e bom som ' Ei teacher! Leave the kids alone!' dos Pink Floyd. As filas para o almoço no refeitório. As aulas de Português em que a professora nos leu, um pouco em todas as aulas ao longo do ano,  'A fada Oriana' de Sophia de Mello Breyner. As corridas pelos corredores enooormes assim que tocava para a entrada ou saída. E tantas outras memórias dos dois anos que ali passei.

Reencontro

Hoje reencontrei uma amiga que já não via há anos.

Conhecemo-nos quando tínhamos ambas 5 anos e entrámos para a pré-primária na mesma escola. Morávamos na mesma rua, fazemos anos com 15 dias de diferença e costumávamos brincar que quando ela nasceu ficou á minha espera e talvez por isso desde logo houve uma ligação entre nós. Crescemos juntas, partilhávamos tudo desde brinquedos a livros, tínhamos as nossas próprias brincadeiras muito nossas e talvez por sermos ambas filhas únicas, era o mais próximo que tínhamos parecido com uma irmã. Andámos juntas na primária, no antigo ciclo e liceu só fomos da mesma turma durante um ano mas continuávamos sempre por perto uma da outra. Quando acabámos o liceu, cada uma seguiu a sua vida mas sempre sabendo uma da outra. Ela casou, saiu da nossa rua para fora de Lisboa mas fui acompanhando a sua vida através da mãe. Soube das dificuldades para engravidar, do que lutou sem nunca desistir até que conseguiu e tem agora um menino de 5 anos. Entretanto, a mãe dela morreu e acabámos por perder o contacto uma da outra. Até hoje, em que entrou no sítio onde trabalho e em 5 minutos tentámos recuperar o tempo perdido. Fiquei a saber que já tem outro menino de 18 meses, adoptado, porque antes de engravidar já estavam a tentar adoptar e mesmo depois de terem conseguido não desistiram da adopção e tal, com ela diz e nós bem sabemos como é, não queria que o filho fosse filho único como nós. Separámo-nos com a promessa de desta vez não nos perdermos de vista, o que não é difícil com net, mail, facebook e tudo mais que existe para as pessoas não se perderam umas das outras.

Gostei deste reencontro com o passado. Ultimamente parece que ele, o passado, anda a fazer questão de voltar á minha vida. Mas essa é uma outra história que, se tiver coragem, hei-de um dia contar aqui.